Música ajuda no atendimento odontológico a pacientes portadores de deficiência




Dr. Márcio dos Santos (com o violão) com pacientes do CAOE: integração através da músicaCentro de Assistência Odontológica a Excepcionais da Unesp (CAOE), campus de Araçatuba é um dos únicos do mundo, se não o único, especializado no tratamento odontológico de pacientes portadores de deficiência física mesclando técnicas consagradas com tratamento alternativo a base de música.
Trata-se do projeto "Música Associada às Necessidades Terapêuticas de Pacientes Especiais", que teve início no CAOE a mais de um ano. O projeto visa estabelecer um vínculo maior entre esses pacientes e a equipe multidisciplinar de atendimento, através de atividades musicais e outras atividades artísticas, partindo do princípio de que todas as pessoas gostam de música.
Tal iniciativa foi implantada inicialmente no Hospital Psiquiátrico Benedita Fernandes, de Araraquara. Depois, o projeto foi estendido à Associação de Amigos dos Autistas. A partir daí, foi levado ao Centrinho, como é conhecido o CAOE, para que esse trabalho também fosse realizado com pacientes portadores de deficiência mental, associada ou não a problemas físicos.
Esse projeto foi divido em três etapas: Seção de Socialização, Oficinas Musicais e Aulas de Percepção Sonoras. Durante a Seção de Socialização, há o contato primário entre as pessoas em que cada um diz seu nome, local de origem, seu gosto musical e que tipo de música aquele momento parece estar ligado. A segunda fase teve início a pouco mais de um mês.
Nela os pacientes começaram a ter contato com os instrumentos e a fazer com eles exercícios que irão auxilia-los nas atividades cotidianas, principalmente na parte de higienização. A terceira etapa do projeto proporcionará um contato mais íntimo com o instrumento promovendo o aprendizado e a produção sonora por parte do paciente.
Segundo a Profa. Dra. Sandra Ávila de Aguiar, supervisora do Centro, existem hospitais que contratam profissionais para fazer o atendimento odontológico a esses pacientes, mesmo assim, sob anestesia geral. "Mas não há na Europa ou na América do Norte um centro como o CAOE, em que há a preocupação com a adaptação do paciente e interação destes com os graduandos", revela Sandra.
O projeto enfrentou e ainda enfrenta, segundo a docente, algumas dificuldades no que diz respeito à infra-estrutura. "Inicialmente, os próprios profissionais levavam seus instrumentos e discos. Através de uma campanha, foi possível arrecadar alguns materiais que tornaram possível o início da segunda fase do projeto", comenta.
Dr. Márcio dos Santos (com o violão) com pacientes do CAOE: integração através da músicaPara o Dr. Márcio José Possari dos Santos, que, além de executor do projeto e cirurgião dentista, também é músico, quanto maior a infra-estrutura, melhores serão os resultados. "O CAOE necessita ainda de mais instrumentos de percussão, de cordas (preferência para violão) e de um teclado (de brinquedo), além de cds com músicas para relaxamento, músicas de auto-ajuda, temas infantis (histórias)", diz Possari.
"A realização dessas atividades também promove a integração e ambientação dos acadêmicos, já que o projeto conta com doze estagiários do curso de Odontologia Noturno da Faculdade de Odontologia de Araçatuba.
Quando estes alunos tiverem que cursar a disciplina de Assistência Odontologia Integrada ao Paciente Especial do curso de graduação, não enfrentarão tantos problemas como o medo e outras dificuldades em relação ao paciente especial", complementa Sandra.
Dos doze alunos que participam do projeto, dois já recebem bolsa da Proex. Para Sandra, esse incentivo "é muito importante não só no aspecto financeiro, mas também por mostrar aos estudantes e à sociedade, pois demonstra que está havendo investimento no projeto e que a Faculdade de Odontologia de Araçatuba não oferece somente tratamento odontológico, pois o paciente é tratado como um indivíduo completo e não apenas como uma boca. Há a preocupação com o aspecto social e psicológico dos pacientes."
O objetivo da realização dessas atividades, na visão de Possari, é o de se conseguir uma melhor ambientação, relaxamento pré e pós-operatório, e o desenvolvimento da capacidade cognitiva e coordenação motora desse paciente. "A arte é um dos métodos terapêuticos mais contemporâneos. Isso vem desde a filosofia do médico Patch Adams, que criou os doutores da alegria.", finaliza.

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