Sandra Canal é professora na área de Educação Especial em Venda Nova Do Imigrante e decidiu usar ingredientes e receitas na sala de aula.

Alunos aprendem através das receitas ensinadas em sala (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Canal)Alunos aprendem através das receitas ensinadas em sala (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Canal)
Alunos aprendem através das receitas ensinadas em sala (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Canal)
Quando pensou que deveria colocar as mãos na massa para ajudar alunos com alguma dificuldade de aprendizagem ou deficiência, a professora Sandra Canal, de Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo, percebeu que era possível levar a ideia ao pé da letra. Então, fez de ingredientes e receitas o material didático necessário para complementar o ensino. O resultado, além de deliciosos bolos, pães e biscoitos, é a evolução das crianças em disciplinas como português e matemática.
Sandra é professora da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Caxixe, na zona rural de Venda Nova do Imigrante, região Serrana do Espírito Santo. Ela trabalha com Educação Especial há 10 anos, atendendo alunos com deficiências cognitivas, físicas, sensoriais, ou distúrbios de aprendizagem.
A ideia foi usar o espaço e o tempo destinados ao atendimento a alunos da educação especial na escola para preparar receitas culinárias.
“Queria uma coisa que estimulasse, que incentivasse as crianças a terem gosto por aprender. Eles não tinham muita frequência nas aulas, mas agora estão mais animados, porque tem toda essa parte prática”, explicou. Sandra.
Através dos rótulos e embalagens, ela e a professora Ana Flávia Delazaro trabalham a leitura e a escrita. Já as porções e as quantidades estimulam os alunos a praticarem operações matemáticas.
“Os próprios alunos estão colocando a mão na massa. Eles estão fazendo biscoitos em formatos de letras, números, animais. Tudo com objetivo de estimular a aprendizagem e autoestima. O projeto está sendo um sucesso“, contou Sandra.
A lavradora Nelcy Pereira é mãe de um dos alunos da professora Sandra. Mateus, de 11 anos, aprendeu a ler há pouco tempo, e apresentava muita dificuldade na escola. Depois do projeto Receitas, a mãe já percebeu as melhoras no filho.
“Ele se desenvolveu muito. Com esse negócio de receita, ele chega em casa contando como foi. Quando estou fazendo a janta, ele vem querendo ajudar. E está conseguindo ler melhor, coisa que ele não fazia. Quem me dera que isso tivesse começado antes”, contou a lavradora.
Crianças colocam a mão na massa durante aula para ensino especial (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Canal)Crianças colocam a mão na massa durante aula para ensino especial (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Canal)
Crianças colocam a mão na massa durante aula para ensino especial (Foto: Arquivo Pessoal/ Sandra Canal)

Psicopedagoga: 'aprendizado concreto'

A psicopedagoga responsável pela formação das professoras que atuam na educação especial no município, Christine Bossois Peterle, exaltou a iniciativa das profissionais.
“Elas são excelentes professoras, são maravilhosas. E o que mais me encanta é que esse processo de formação está todo indo pra prática. Essas crianças têm necessidade do concreto. Elas não sabem abstrair. Eles precisam vivenciar o que aprendem, vendo, tocando, manipulando. As crianças agora estão com autoestima elevada, porque eles não se achavam capazes de aprender”, enfatizou.

Educação Especial

As aulas acontecem no contraturno escolar, o que significa que os alunos têm as aulas do ensino regular normalmente, e participam das aulas voltadas para ensino especial em outro horário.
De acordo com o secretário de Educação da cidade, Fábio Altoé, há um planejamento elaborado pela secretaria para o trabalho com os alunos especiais, mas os professores da área têm a liberdade de escolher, dentro desta linha, qual é a melhor forma de atuar.
No caso de Sandra, a opção foi usar receitas culinárias para estimular o aprendizado. Por conta própria, e com autorização da escola, ela levou um forno elétrico, formas, colheres e ingredientes para a sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE).
O projeto, que começou em abril e termina em junho, atende 12 alunos, de 8 a 15 anos.

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