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Preconceito, até quando?

Sueli de Cássia Tosta Fernandes1

A razão da existência do preconceito ainda nos dias atuais, não parece dever-se a fatores naturais, não é natural o ódio, o amor é natural.
Já dito por Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se elas podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o oposto”.
Pois bem, direi o óbvio, o fim do preconceito está na educação! Se os nossos jovens não forem educados para o amor, dentro de uma cultura de paz e respeito, de nada adiantará as leis contra as discriminações raciais, homofóbicas e tantas outras.
É fácil concluir que quando os jovens não recebem uma educação anti-preconceito, ele se mantém guardado, ou melhor, escondido, e em algum momento aparece, ou explode de maneira violenta. Os jornais nos mostram vários exemplos disso.
No Brasil as leis afirmativas em prol a população afro descendente encontram resistência por parte de alguns membros da sociedade, suponho que a origem disso, esteja no modo como o livro didático retrata os negros, ou seja, no que aprenderam sobre o assunto.
A questão é que não basta elaborar uma lei e acreditar que “num passe de mágica” tudo estará resolvido, o preconceito está na cabeça das pessoas e a lei não muda a cabeça das pessoas.
E aí, entra a educação, que tem como princípio levar os alunos a pensar e a refletir, portanto, se queremos a transformação de uma sociedade devemos investir em educação.
E a educação é de responsabilidade de quem? Da escola? Não, a educação não é restrita a escola! A família deve fazer a sua parte. Como? Ficar atenta à linguagem de que faz uso é um bom começo.
Pensando nessa questão, sugiro refletir sobre o uso de expressões que desvalorizam os negros, como: “Nuvens negras se aproximam” (para sugerir momentos difícieis) ou “a coisa está preta” (para indicar que algo está fora do controle), e outras similares.
Esses são alguns exemplos de expressões que carregam em si estratégias ideológicas para se dizer aquilo o que não é dito, mas o que se pensa, e servem à construção de uma imagem negativa da raça negra.
Uma criança que vivencia um ambiente com expressões dessa natureza, dificilmente enxergará o negro de forma positiva, portanto, a educação para igualdade não é de  responsabilidade só da escola, é responsabilidade de toda a sociedade.
Diante dessa problemática é que me propus a pesquisar no mestrado, o que os livros didáticos da disciplina História (de 1930 a 2010) dizem sobre os negros, quais os mecanismos utilizados para dizerem o que dizem, porque dizem o que dizem, e a que se destina.
Nas oficinas que fazem parte das atividades da exposição “Negro Interior”, procuro dividir com outras pessoas os resultados das minhas pesquisas, interessa-me não culpá-las pelo que aprenderam, e, sim, provocá-las a uma reflexão mais acentuada sobre o assunto.
Em outras palavras, espero sensibilizar o maior número de pessoas para ficarem atentas à violência simbólica praticada contra os negros, comumente manifestada pelas linguagens.
Artigo publicado na 13ª. edição da Revista CULTURANDO.

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