Conheça (e aplique) jogos didáticos para crianças com deficiência visual


BOAS PRÁTICAS LUDOPEDAGÓGICASdeficientes visuais
Valorizar a diversidade é um dos princípios mais importantes de uma boa instituição de ensino. As escolas que eliminam as barreiras e buscam a inclusão contribuem para o desenvolvimento das crianças com deficiência visual, e com isso têm um enriquecimento educativo e social. Entretanto, é inegável o desafio de promover a inclusão dessas crianças, que demandam estratégias pedagógicas inovadoras para terem o mesmo acesso ao ensino que os outros colegas.
Mais uma vez, os jogos se apresentam como uma ferramenta útil para que deficientes visuais tenham a mesma oportunidade de aprendizado que as outras crianças. Devemos sempre lembrar que, ao brincar, a criança desenvolve os sentidos, relaciona-se com o outro, e se torna mais ativa e curiosa.
No material de apoio “Brincar para Todos”, desenvolvido pelo Ministério da Educação, existem orientações e dicas de brinquedos e atividades lúdicas para crianças com deficiência visual, alertando para a importância de cada brinquedo na promoção do desenvolvimento infantil.
Abaixo, apresentamos alguns deles. Sugeridos pela professora de geografia Mara O. de Campos Siaulys, eles são muito fáceis de fazer, mas demandam ajuda de profissionais que conheçam a linguagem braille.

1. Horabraille

Material: Relógio feito de madeira revestida de fórmica, de 20cm x 20cm. Os ponteiros são móveis, feitos em material emborrachado. Os números são escritos em braille.
Objetivo: A proposta desta brincadeira é que a criança com deficiência visual aprenda as horas em braile. Para começar, ela pode ser incentivada a seguir os números na sequência de 1 a 12, a manusear os ponteiros e a perceber a diferença de tamanho entre eles. Então começa a aprender o manuseio do relógio e a leitura das horas.
Alguns exercícios, podem ser trabalhados, pedindo que a criança mostre as horas no relógio. Um exemplo:
– Você vai a escola às 8 horas, como fica esse horário no relógio? Que horas você vai dormir?
Os pais e professores também podem utilizar o relógio para trabalhar o conceito espacial: direita, esquerda, em cima, embaixo, além de conceitos usados socialmente como “sentido horário” e “sentido anti-horário”.

2. Frutíferas

Material: Uma prancheta de madeira de 37cm x 26cm, revestida na parte superior com material emborrachado. No superfície, há três cavidades em que se encaixam três figuras de árvores, de formas iguais, mas de tamanhos diferentes. Já nas figuras, estão recortados pequenos círculos que imitam frutas e têm tamanhos variados. As árvores, quando encaixadas, ficam em relevo.
Objetivo: As crianças reunidas serão incentivadas a manusear a prancheta, sentir sua forma, tamanho e textura. Ao encontrarem as figuras, podem ser trabalhados as partes que compõem a árvore: tronco, copa e frutinhas.
Com esse brinquedo, também é possível que elas contem as frutinhas, agrupando as de mesmo tamanho. Os estudantes também devem encaixar cada árvore em seu respectivo lugar. Algumas questões que podem ser trabalhadas: Qual árvore está à esquerda? E à direita? Qual é a árvore maior? Qual tem menos frutas?

3. Como gente grande

Material: Um tapete de 50cm x 100cm, com 18 bolsos de plástico. Metade dos bolsos será preenchida com utensílios de cozinha, e os demais com itens de banheiro. Ambos serão identificados com etiquetas escritas “cozinha” e “banheiro” em braile.
Algumas sugestões de objetos: peneira, funil, palha de aço, esponja, espremedor de laranja, garfo, pasta de dente, escova de cabelo, pente, bucha para banho, talco e desodorante.
Objetivo: Para o início desta brincadeira, as crianças podem ser incentivadas a contar os bolsos e encontrar as palavras “cozinha” e “banheiro”, escritos em braile. Elas retiram os utensílios da sacola, examinam cada um, falam seu nome, uso e função.
O professor também pode explorar o uso de cada objeto: rosquear, abrir, apertar, pentear, escovar, dobrar, sentir o gosto e o cheiro da pasta de dente.
A próxima etapa, é incentivar as crianças com deficiência visual a colocarem o objeto no bolso correspondente, cozinha ou banheiro. Se estiverem em casa, é possível propor que elas procurem na cozinha e no banheiro os mesmos objetos contidos na sacola.
A lista completa de jogos educativos voltados para crianças com deficiências visuais pode ser encontrada aqui.
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