Central de medicamentos de Matão tem 80 tipos de remédios em falta


Parte do estoque é de responsabilidade da prefeitura e o restante, do estado.
Sem opção, moradores têm de gastar economias ou interromper tratamento.

Do G1 São Carlos e Araraquara
Os moradores de Matão não conseguem encontrar 80 tipos de remédios na central de medicamentos do município e estão tendo de gastar as economias ou interromper o tratamento. A situação já dura seis meses e, entre os itens em falta, há produtos de baixo custo, no valor de R$ 20, até os mais caros, que chegam a custar R$ 5 mil.
Pacientes não conseguem medicamentos de graça em Matão (Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV)Pacientes não conseguem medicamentos de
graça em Matão (Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV)
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, parte dos produtos é de responsabilidade da prefeitura e os demais são entregues pelo governo estadual e o déficit no estoque ocorre por vários motivos.
A secretária municipal de saúde, Mara Capparelli, diz que as medicações consideradas mais simples estão em falta porque não há matéria prima e também por causa da greve dos fabricantes. “Os básicos são recebidos pelo laboratório do Estado de São Paulo. Eles entraram em greve, na fabricação os químicos entraram em greve”, informou.
Com relação aos remédios especializados, a secretária afirma que o problema está na cotação de preços, que não pode ultrapassar determinado valor e, quando isso acontece, o remédio, muitas vezes, nem é fabricado.
“E aí nós temos essa dificuldade com os nossos pacientes. A gente tenta suprir tentando comprar, tem alguns que a gente nem consegue comprar e a gente faz um estudo com as meninas aqui, com toda a equipe farmacêutica, caso a caso”.
A secretária informou que está providenciando a compra dos 20 remédios que competem ao município e que eles devem estar na central no dia 1º de julho.
Sem medicamentos
Enquanto os problemas não são solucionados, os pacientes saem de mãos vazias.
A mototaxista Bianca Milazzotto foi com três receitas de remédios de uso contínuo ao centro, duas para ela, que tem asma e um problema no estômago, e uma para a mãe, que tem colesterol alto. Nos últimos meses, porém, ela não encontra os medicamentos e ouve sempre a mesma resposta: 'Estão em falta'.
“Eles pedem para a gente retirar na Farmácia Popular, algumas farmácias cobram uma taxa outras não. Eu estou afastada, pois estou acidentada e ela está desempregada, então fica complicado”, afirmou Bianca.
Prateleiras da central de medicamentos estão vazias em Matão (Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV)Prateleiras da central de medicamentos de Matão
estão vazias (Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV)
O aposentado Antônio Janini ficou sem a medicação para o estômago. “Melhor é pegar de graça, porque o salário da gente é uma mixaria, é um salário mínimo. Hoje vou voltar sem o remédio para o estômago”, contou Janini.
Com mais de uma receita na mão, a cabeleireira Aryane de Moura conseguiu dois remédios, mas o que é usado contra a alergia do filho de nove meses está em falta. “Eu vou ter que comprar porque ele está precisando tomar”, afirmou.
A nutricionista Alessandra Borges ficou sem o remédio para ansiedade. “Vou comprar, dar um jeitinho de comprar. Dificulta um pouco, se tivesse seria bem melhor, não perderia o meu tempo”, falou.
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